Segunda-feira, 18 de Maio de 2026
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Conduzir em Oliveira de Azeméis está caro: pagamos para andar… e para estragar

> Entre buracos nas estradas, pneus furados e multas afinadas ao cêntimo, conduzir em Oliveira de Azeméis tornou-se um verdadeiro exercício de resistência.

Fala-se muito do preço dos combustíveis — e com razão. Basta passar por uma bomba para perceber que abastecer já não é um hábito, é um momento de reflexão quase espiritual. Mas, em Oliveira de Azeméis, há algo que consegue rivalizar com esse custo: o verdadeiro estado da arte de conduzir… nas estradas do concelho.

Porque aqui não se trata apenas de meter combustível. Trata-se de sobreviver ao percurso.

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As estradas, em muitos pontos, parecem ter sido promovidas de via pública a circuito experimental. Buracos que surgem sem aviso, remendos que mais parecem puzzles mal resolvidos e troços onde a suspensão do carro é posta à prova diariamente — tudo isto faz parte da experiência. Conduzir deixou de ser deslocar-se; passou a ser uma espécie de rally urbano, só que sem prémio e com custos acrescidos na oficina.

Falo por experiência própria. No último ano, o meu carro ganhou uma relação quase íntima com o mecânico. Entre visitas inesperadas e reparações que já começam a parecer rotina, há um detalhe que resume bem o estado das coisas: furar pneus deixou de ser um azar ocasional e passou a ser quase um hábito — já vai numa mão cheia. E como se não bastasse, no espaço de um ano tive mesmo de substituir os quatro pneus do carro. Não por desgaste natural, mas por sobrevivência às estradas.

E claro, tudo isto acontece enquanto o preço dos combustíveis continua a subir, como se fosse necessário pagar um “extra” por cada desvio que fazemos para evitar um buraco mais ambicioso. No fundo, pagamos mais para andar… e para estragar mais.

Mas se as estradas exigem perícia, o estacionamento exige estratégia — e alguma coragem.

A autarquia, há que reconhecer, demonstra uma eficiência notável num ponto muito específico: as multas de estacionamento. Num concelho onde, por vezes, parece faltar agilidade na manutenção das vias, a rapidez com que se identificam infrações é, no mínimo, impressionante. Quase artística. Um verdadeiro exemplo de foco administrativo.

E há um padrão curioso: com a subida das temperaturas, quase que se sente que a fiscalização dos tickets de estacionamento se torna ainda mais assertiva. Como se o calor trouxesse consigo uma motivação extra — não para arranjar estradas, mas para verificar parquímetros.

Encontrar lugar já é um desafio. Encontrar um lugar “seguro” — onde não haja risco de uma surpresa no para-brisas — é outro nível do jogo. E mesmo quando tudo parece estar em ordem, há sempre aquela dúvida persistente: “Será que escapei desta vez?”

Aliás, no último ano, tenho tido mais correspondência do Gabinete de Assessoria Técnica-Jurídica e de Contencioso do Município de Oliveira de Azeméis do que nos tempos em que escrevia cartas de amor. A diferença é que, agora, as cartas chegam com menos romantismo e muito mais custos associados. Porque, convenhamos, quando aquela taxa inicial de seis euros fica por pagar e o processo ganha asas rumo ao contencioso, os juros aplicados são de tal ordem que fariam corar de vergonha as grandes instituições bancárias.

O resultado é um curioso equilíbrio: conduz-se em estradas que testam a resistência do carro e estaciona-se sob a constante possibilidade de contribuir, involuntariamente, para as receitas municipais.

No meio disto tudo, a ideia de mobilidade simples e acessível vai ficando cada vez mais distante. Não porque faltem carros ou vontade de circular, mas porque cada viagem vem acompanhada de uma soma de pequenos custos, incómodos e riscos que se acumulam.

Conduzir em Oliveira de Azeméis está caro — não só pelo combustível, mas pelo desgaste, pela atenção redobrada e pela sensação de que, aconteça o que acontecer, há sempre uma fatura à espera no final.

No fundo, mais do que conduzir, trata-se de gerir danos. E nisso, infelizmente, estamos todos a ganhar experiência.

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