Domingo, 18 de Outubro de 2026
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Cátia Azevedo quebra o silêncio após saída do Sporting CP: “Foste mãe, és um tiro no escuro”

> A atleste natural do concelho de Oliveira de Azeméis, Cátia Azevedo, rompe o silêncio sobre a saída do Sporting após 18 anos e revela que lhe foram propostas condições inferiores depois de ter sido mãe.
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Cinco meses depois de ter sido mãe, Cátia Azevedo, natural de Cucujaes, terminou uma ligação de 18 anos ao Sporting CP e está sem clube. A recordista nacional dos 400 metros acusa o emblema leonino de lhe ter apresentado propostas de renovação com redução do valor do contrato e revela uma frase que diz ter ouvido do diretor técnico do atletismo: “Foste mãe. És um tiro no escuro, não sei como virás”.

Cátia Azevedo quebrou o silêncio sobre a saída do Sporting, clube que representou durante 18 anos, e explicou a sua versão sobre o processo de renovação contratual que acabou sem acordo.

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A atleta de 32 anos, recordista nacional dos 400 metros, foi mãe há cerca de cinco meses e encontra-se agora sem clube numa fase em que pretende preparar o ciclo que conduz aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Em declarações à imprensa desportiva, Cátia Azevedo afirma que as propostas que lhe foram apresentadas pelo Sporting CP implicavam uma redução do valor que recebia.

“Não estava à espera de viver esta situação. Para começar, é fundamental que as pessoas percebam que eu não ia sair de um clube no qual estou há 18 anos, depois de ter sido mãe só porque sim”, afirmou a atleta.

+ Ler também: Depois da saída do Sporting CP, Cátia Azevedo é homenageada e acarinhada em casa nos 50 anos do NAC

Primeira proposta previa um ano e redução do valor

Segundo Cátia Azevedo, numa primeira reunião com Paulo Reis, diretor técnico do atletismo do Sporting, e Miguel Afonso, vice-presidente do clube, foi-lhe apresentada uma proposta para apenas um ano e com redução do valor do contrato.

A atleta diz ter rejeitado de imediato essas condições.

“Eu não fiz nada para ter uma redução. Dos 18 anos em que corri pelo clube, 16 foram com vitórias, resultados e representações ao alto nível”, justificou.

Cátia Azevedo garante ainda que, na renovação contratual anterior, tinha procurado assegurar estabilidade para completar o ciclo olímpico até Los Angeles 2028.

Segundo a atleta, tinha pedido quatro anos de contrato, mas acabou por assinar por dois, alegadamente com o compromisso de que manteria as mesmas condições durante mais dois anos.

“Eu pedi estabilidade. Expus que precisava de dois anos porque não sei se num ano estarei nas condições a que sempre habituei o clube”, explicou.

“Foste mãe. És um tiro no escuro”

Cátia Azevedo afirma que Paulo Reis justificou as reservas em relação à renovação com a maternidade e com uma lesão anterior.

“Ele disse-me: ‘foste mãe. És um tiro no escuro, não sei como virás’”, revelou a atleta oliveirense, acrescentando que lhe terá sido dito que não tinha dado retorno desportivo ao clube nos dois últimos anos.

A atleta considera que a forma como o processo foi conduzido não teve em conta o percurso de quase duas décadas ao serviço do Sporting.

Segunda reunião manteve sempre redução

Houve ainda uma segunda reunião entre as partes. De acordo com Cátia Azevedo, foram então apresentadas diferentes possibilidades: contrato por um ou dois anos e a hipótese de trabalhar a recibos verdes.

Mas, segundo a atleta, havia um elemento comum a todas as opções: uma redução da remuneração.

“A decisão de reduzir já estava tomada e nunca houve abertura para gerir outra opção”, afirmou.

A versão apresentada pela atleta contrasta com a posição anteriormente transmitida pelo Sporting, que indicou ter apresentado uma proposta pelos mesmos valores e que esta teria sido rejeitada. Cátia Azevedo contesta essa interpretação e garante que todas as propostas que recebeu representavam uma redução.

“Duas semanas depois de dar à luz estava a treinar”

A maternidade ocupa uma parte central do relato de Cátia Azevedo. A velocista conta que adiou a decisão de ser mãe durante o máximo de tempo possível devido às exigências da carreira e que regressou aos treinos apenas duas semanas depois do parto, precisamente por recear que a maternidade pudesse colocar o contrato em causa.

“Eu não mereço uma redução só porque gerei uma vida”, afirmou.

A atleta acrescentou que chegou a questionar o Sporting sobre se o marido, Tsanko Arnautov, também atleta do clube, teria igualmente uma redução salarial por ter sido pai.

Uma ligação de 18 anos chega ao fim

Cátia Azevedo deixa assim o Sporting depois de 18 anos de ligação ao clube e após uma carreira marcada por títulos nacionais, presença internacional e participações olímpicas.

A atleta destacou apenas a posição de Miguel Afonso durante o processo, considerando que o vice-presidente foi quem mostrou maior compreensão perante a situação.

A saída acontece numa altura particularmente sensível da carreira da velocista portuguesa, que pretende ainda preparar a qualificação para Los Angeles 2028, mas que, cinco meses depois de ter sido mãe, inicia agora uma nova etapa fora do clube que representou durante praticamente toda a carreira sénior.

Azemeis.net
Author: Azemeis.net

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