O caso Tiago João ganhou novos contornos após a reação do próprio às declarações do presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, Joaquim Jorge. Em causa está a solução para os problemas de mobilidade do jovem, com o autarca a admitir que garantir transporte entre casa e o trabalho poderá ser a opção mais segura. No entanto, Tiago João não esconde a indignação e fala mesmo em discriminação.
“Talvez seja a maior discriminação que tenha sido alvo em toda a minha vida”, afirma, criticando a possibilidade de ver a sua mobilidade limitada a um percurso exclusivo entre casa e trabalho. “Um presidente de câmara (…) a sugerir que eu tenha uma vida só de trabalho-casa é profundamente lamentável e triste. Hoje sim, sinto-me não mais que um número”, acrescenta.
Câmara aponta transporte como solução
A posição da autarquia foi tornada pública após uma questão levantada pelo vereador da AD, Pedro Marques, na última reunião de executivo camarário. Em resposta, o presidente da autarquia, Joaquim Jorge fez um ponto de situação, defendendo que a solução do transporte poderá garantir mais conforto e segurança ao jovem.
O presidente da câmara reconheceu que a pavimentação da estrada continua a ser uma hipótese, mas deixou reservas. Na sua perspetiva, essa intervenção poderá provocar um aumento significativo do tráfego na via, potenciando riscos acrescidos. Ainda assim, classificou a obra como “a coisa mais óbvia”, admitindo, porém, que poderá representar apenas uma solução parcial para o problema.
Como alternativa, a autarquia está a avaliar, em articulação com a União de Freguesias e com a Obra Social — entidade empregadora de Tiago João — a possibilidade de assegurar transporte regular entre a residência e o local de trabalho. Uma solução que, segundo Joaquim Jorge, dependerá sempre da aceitação do próprio jovem. Para já, não foram definidos prazos nem uma decisão final.
Comunidade contesta e defende direito à mobilidade
Entretanto, o debate já ultrapassou o plano institucional e chegou à esfera pública, com reações de quem conhece de perto a realidade de Tiago João. É o caso de Paulo Oliveira, amigo do jovem, que manifestou forte indignação face à posição da câmara.
Paulo Oliveira critica a possibilidade de “transferir” a responsabilidade para a entidade patronal e defende que essa não é uma solução real. Segundo afirma, Tiago João sempre lutou pela sua autonomia, com o apoio da comunidade, precisamente para não depender de terceiros nas suas deslocações.
O amigo contesta ainda os argumentos relacionados com o eventual aumento de tráfego, sublinhando que o jovem já enfrenta diariamente riscos ao circular na via atual. Para Paulo Oliveira, a pavimentação não só não agravaria o perigo, como traria melhores condições de dignidade e conforto.
Mais do que uma questão prática, sustenta, está em causa um princípio fundamental: o direito à mobilidade. O conforto, defende, não deve existir apenas para o percurso casa-trabalho, mas para toda a vida quotidiana. Nesse sentido, considera a pavimentação “a solução óbvia, justa e necessária”.
O caso Tiago João permanece assim em aberto, marcado por visões distintas sobre a melhor resposta para garantir segurança e qualidade de vida, mas também por um debate mais profundo sobre autonomia, inclusão e igualdade.
