A ausência de parques de estacionamento com funcionamento permanente, acessíveis 24 horas por dia, é uma das lacunas identificadas na análise ao sistema de mobilidade em Oliveira de Azeméis. Apesar de o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável reconhecer os problemas associados ao estacionamento no concelho, o documento não apresenta soluções concretas que garantam uma oferta contínua e estruturada ao longo de todo o dia.
O plano dedica um capítulo específico ao estacionamento, onde caracteriza a oferta existente e identifica um conjunto de problemas recorrentes, como a pressão sobre o espaço público, o estacionamento desordenado e a ocupação abusiva de zonas não destinadas a esse fim . No entanto, não são referidos parques de estacionamento com funcionamento permanente nem estratégias claras para assegurar esse tipo de serviço.
Apontam os exemplos de parques de estacionamento como do Centro Comercial Raínha, e do Parque da Cidade, que não oferecem funcioamento na totalidade das 24 horas do dia.
Esta ausência ganha relevância num concelho onde a utilização do automóvel continua a ser dominante e onde a procura de estacionamento se prolonga para além dos horários comerciais. Em zonas urbanas, sobretudo no centro da cidade, a falta de alternativas estruturadas durante a noite e fora dos períodos de maior atividade pode contribuir para o agravamento de situações de estacionamento irregular.
A inexistência de parques 24 horas limita também a resposta a necessidades específicas, como trabalhadores por turnos, utilizadores de serviços noturnos ou residentes em áreas com menor capacidade de estacionamento. Nestes casos, a falta de oferta permanente pode traduzir-se numa maior pressão sobre a via pública e numa utilização menos eficiente do espaço urbano.
O Plano de Mobilidade aponta para a criação de bolsas – neste caso, a autarquia já comprou um terreno para esta finalidade – e parques de estacionamento como forma de reorganizar a oferta existente, mas essas medidas surgem enquadradas numa estratégia mais ampla de gestão do espaço e não como resposta direta à ausência de soluções de funcionamento contínuo. O documento privilegia uma abordagem focada na racionalização do estacionamento, na promoção da rotatividade e na redução da dependência do automóvel, sem aprofundar a questão do acesso permanente.
Ao mesmo tempo, o plano associa o estacionamento abusivo e ilegal à falta de organização e à pressão automóvel, sugerindo que a resolução do problema passa não apenas por aumentar a oferta, mas também por alterar comportamentos e redefinir prioridades na utilização do espaço público .
A ausência de referência a parques 24 horas levanta, assim, questões sobre a capacidade do sistema de estacionamento responder às necessidades reais da população ao longo de todo o dia. Num contexto de transformação da mobilidade, em que se pretende reduzir o uso do automóvel, a forma como o estacionamento é gerido — incluindo a sua disponibilidade temporal — assume um papel central.
Para já, o plano deixa em aberto esta dimensão, remetendo para futuras fases de implementação a definição de soluções mais concretas. Até lá, a falta de estacionamento acessível de forma contínua continuará a ser um dos desafios do concelho, sobretudo nas áreas mais pressionadas pela circulação automóvel.
