A Academia de Música de Oliveira de Azeméis aproveitou o concerto de abertura da edição de 2026 do festival 37.20, em Oliveira de Azeméis, marcado pela energia dos alunos, pela presença das famílias e pelo envolvimento da comunidade para deixar um apelo claro: a instituição precisa de mais espaço para continuar a desenvolver o seu trabalho com qualidade.
No meio dos agradecimentos, das apresentações e dos aplausos, Manuel Silva, diretor pedagógico da AMOA, aproveitou o palco para deixar uma mensagem que foi além do concerto. O maestro alertou para a falta de condições da Academia de Música de Oliveira de Azeméis e defendeu que a instituição precisa, com urgência, de mais espaço para continuar a trabalhar com os seus alunos.
“Juntar esta gente toda, não temos muitas vezes espaço para isso”, afirmou Manuel Silva, referindo-se à dimensão crescente dos projetos desenvolvidos pela Academia. A observação surgiu num momento em que o responsável destacava o esforço dos alunos e professores na preparação do espetáculo e a quantidade de jovens envolvidos nas atividades musicais da instituição.
“Isto é impossível”
A Academia funciona atualmente nas instalações habituais, mas Manuel Silva considera que a realidade dos últimos anos já ultrapassou a capacidade disponível. “A Academia está muito bem onde está, mas precisa de um espaço urgente para trabalhar. Isto é impossível. Nós não temos espaço na Academia para trabalhar esta gente toda”, afirmou o maestro.
A frase ganhou especial significado perante os números apresentados. Uma instituição que se aproxima dos 500 alunos, com mais de duas centenas no ensino articulado e uma procura superior às vagas financiadas pelo Estado, enfrenta agora o desafio de garantir condições físicas compatíveis com a sua dimensão.
Pedido feito em nome dos jovens
Manuel Silva fez questão de sublinhar que a reivindicação não deve ser vista apenas como uma necessidade da instituição ou dos professores. “Não são os professores que pedem. São os jovens que estudam música”, disse, antes de resumir a ideia numa frase curta que arrancou uma ovação da plateia: “Estes jovens merecem.”
A mensagem reforçou a ideia de que a falta de espaço não é apenas uma questão logística, mas uma limitação ao trabalho artístico e pedagógico da AMOA. Para o maestro, garantir melhores condições significa permitir que os jovens músicos possam estudar, ensaiar e crescer num ambiente adequado à dimensão que a Academia tem vindo a alcançar.
Concerto mostrou crescimento da Academia
O apelo surgiu no concerto inserido no festival 37.20, descrito como diferente do habitual, preparado em tempo recorde e pensado para tirar alunos e professores da sua zona de conforto. Ao longo da noite, foram destacados vários intervenientes, entre os quais músicos solistas, professores, o coro de pais, a equipa técnica e convidados especiais.
A presença das famílias e a reação calorosa do público ajudaram a mostrar a forte ligação da Academia à comunidade oliveirense. O espetáculo serviu, por isso, não só para apresentar o trabalho musical dos alunos, mas também para evidenciar a necessidade de acompanhar esse crescimento com condições adequadas.
Num momento de celebração da música e do talento jovem, a mensagem deixada por Manuel Silva ficou como um dos pontos mais marcantes da noite: a AMOA precisa de mais espaço para continuar a formar os músicos do futuro.
Academia aproxima-se dos 500 alunos
O pedido de mais espaço surge num contexto de crescimento evidente da AMOA. A instituição tem vindo a aumentar o número de alunos e já ultrapassou a fasquia inicialmente apontada dos 400.
Em entreevista recente, Ana de Jesus, presidente da AMOA, e Manuel Silva, o diretor pedagógico, avançaram que a instituição está já “mais próximo dos 500 alunos”.
Este aumento ajuda a explicar a pressão sentida nas instalações da Academia. Com mais alunos, mais projetos e diferentes regimes de formação musical, a falta de espaço tornou-se uma das principais preocupações da instituição.
Dentro deste universo, o ensino articulado representa uma parte muito significativa da atividade da AMOA. Manuel Silva explicou que a Academia tem cerca de 210 alunos só neste regime, que é gratuito para os estudantes e financiado pelo Estado dentro de um limite de vagas.
Os restantes alunos estão distribuídos por outros projetos e percursos formativos, incluindo pré-iniciações, iniciações e outras modalidades de ensino musical. Esta diversidade de respostas mostra a dimensão que a Academia atingiu e o papel que desempenha na formação artística de crianças e jovens do concelho.
A procura, no entanto, continua a crescer. Para as 35 vagas anuais financiadas pelo Ministério da Educação, a Academia registou 57 inscrições efetivas, o que significa que houve mais interessados do que lugares suportados pelo Estado.
Para evitar que alunos fiquem de fora, a Câmara Municipal tem apoiado os estudantes que ultrapassam esse limite de financiamento. No total dos cerca de 210 alunos do ensino articulado, a direção revela que 34 não são financiados pelo Ministério da Educação, sendo esse apoio assegurado pelo município.

